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| A Oxigenoterapia Hiperbárica Descrição
e apresentação de casos clínicos Artigos MedicinaHiperbárica/oxigenoterapia hiperbárica: "Uma modalidade terapêutica ainda desconhecida" |
| DEFINIÇÃO A OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA (OHB) é a modalidade de tratamento médico que utiliza a administração de O2 a 100% em pressões superiores a atmosférica. Possui múltiplas indicações no âmbito da medicina de urgência, reanimação em pacientes politraumatizados, nas intoxicações, no tratamento de infecções, síndromes neurológicas, ortopedia e cirurgia geral. É administrada segundo protocolos rigorosos e bem codificados, isoladamente ou em associação com outros métodos terapêuticos indicados para a afecção causal (antibióticoterapia específica, debridamento cirúrgico, fisioterapia fonoaudiologia, etc...). HISTÓRICO É de fundamental importância apesar do desconhecimento perante as comunidades científicas nacional e internacional, o trabalho pioneiro realizado pelo Dr. Ozório de Almeida, que no Hospital Gafrée e Guinle entre 1932/1936 descreveu os resultados clínicos e laboratoriais obtidos no tratamento da hanseniase com câmara hiperbárica, cujo acervo pode ser encontrado na biblioteca do Institudo Oswaldo Cruz (RJ). BASES FISIOLÓGICAS
DA OHB Aqueles ligados a compressão Aqueles provenientes dos benefícios da administração do O2 em pressões superiores à atmosférica , ou seja, como substância farmacologicamente ativa. A SUBSTÂNCIA 02 EFEITOS DA
ELEVACÃO BAROMÉTRICA EFEITOS DA ELEVAÇÃO DA
pO2 ATA, a quantidade de O2 dissolvido no plasma (6 ml por 100 ml) é suficiente para cobrir as necessidades e assegurar o transporte de O2, seja por alteração funcional da hemoglobina (intoxicações), falta absoluta de hemacias (anemias) ou correção de deficiência na perfusão tissular (insuficiências vasculares de qualquer origem) OUTROS EFEITOS DA OHB EFEITO BACTERICIDA E BACTERIOSTÁTICO O O2 não é por outro lado uma substância farmacológica seletiva . As bactérias aeróbias mostram por vezes uma resposta bifásica ao aumento da pressão parcial do O2 (pO2). O aumento da pO2 entre 0.6 1.3 ATA aplicado as culturas de Corynae bacterium diphteriae ; escherichia coli; pseudomonas aeruginosa e staphilococos áureos, aumenta a reprodução das bactérias; porém, a partir de 1.3 ATA a multiplicação é inibida. EFEITOS SOBRE
A CAPACIDADE FAGOCITÁRIA DOS POLIMORFONULEARES Os processos oxigeno-dependentes correspondem a 60% do poder fagocitário dos polinucleares. A importância deste mecanismo é ilustrada na clínica pela granulomatose crônica, doença caracterizada por infeções de repetição, nas quais os leucócitos mostram uma capacidade oxidativa muito diminuída. A partir dessas constatações, Hohn demonstrou que nas condições de hipoxia, os leucócitos normais tinham o poder fagocitário muito diminuido, semelhante aquele encontrado nos portadores de granulomatose crônica e que a utilização do O2 a 100% sob pressão seria a única maneira de normalizar a capacidade fagocitaria. EFEITO VASOCONSTRICTOR
O débito sangüíneo cerebral diminui 13% a pressão de 1 ATA e para 30% a 2 ATA. A pressões superiores, esta redução atinge um platô ligado a não eliminação do CO2 pelo paciente. Esta vasoconstricção hiperóxica, confirmada angiograficamente é utilizada no tratamento dos edemas cerebral e medular, associada a uma hipocapnia imposta, para impedir o aumento da pressão intracraniana nas zonas onde seria patogênico. O efeito vasoconstritor pode ser também utilizado para realização de cirurgias e sangues (UNIVERSIDADE MOSCOU). EFEITO METABÓLICO CICATRIZANTE OHB NO MUNDO
Brasil - Conselho Federal de Medicina RESOLUÇÃO CFM nº 1.457/95O Conselho Federal de Medicina, no uso da
atribuição que lhe confere a Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada
pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e RESOLVE: Adotar as seguintes técnicas para o emprego da OHB. I - DISPOSIÇÕES GERAIS 1.1 - A oxigenoterapia hiperbárica (OHB)
consiste na inalação de oxigênio puro, estando o indivíduo submetido a uma pressão
maior do que a atmosférica, no interior de uma câmara hiperbárica; II - INDICAÇÃO 2 - A indicação da oxigenoterapia hiperbárica é de exclusiva competência médica. III - APLICAÇÃO 3 - A aplicação da oxigenoterapia
hiperbárica deve ser realizada pelo médico ou sob sua supervisão; IV - TRATAMENTO 5 - O tratamento deve ser efetuado em
sessões, cuja duração, nível de pressão, número total e intervalos de aplicação
são variáveis, de acordo com as patologias e os protocolos utilizados. Brasília-DF, 15 de setembro de 1995. WALDIR PAIVA MESQUITA ANTÔNIO HENRIQUE PEDROSA NETO Publicada no D.O.U. de 19.10.95 - Seção
I - Página 16585.
INDICAÇÕES SEGUNDO A SOCIEDADE CHINESA DE MEDICINA HIPERBÁRICA - 1982 Classe I - Terapia Principal
Classe II - Terapia Coadjuvante
INDICAÇÕES SEGUNDO O AMERICAN COLLEGE OF HYPERBARIC MEDICINE (1983). AGUDAS Embolia gasosa; Doença descompressiva; Queimados; Intoxicação por monóxido de carbono; Edema cerebral; traumatismo cranianos fechados; Crises de anemia falsiforme; intoxicação por cianeto; Anemias com perda sanguínea excepcional; Ferimentos causados por explosão; gangrena gasosa; intoxicação por sulfide de hidrogênio; Blast injury; Afogamento; Eletrocução ou eletroplessão; Enforcamento; Intoxicação por peiote; Membros severamente lesados; Íleo paralítico;
NEUROLÓGICAS
Osteoradionecrose e injúria de tecidos moles causados por radiação
Íleo paralítico; Ressuscitação cardiopulmonar; edema cerebral; choque, incluindo o de origem pós-operatório de cirurgia cardíaca.
Classe III - Em investigação Desordens cerebrovasculares agudas; Doença vascular periférica crônica; Tétano; Pitiríase rosea; Eritema tuberculoso; Hemicrania e sequelas tardias de traumatismo craniano; Disfunção cerebral pós-cirúrgica; Neurastenia severa; Miastenia; Senilidade; Injúrias ou inflamações da espinha dorsal e nervos periféricos; Asma brônquica; Doença inflamatória oral; Surdez nervosa.
INDICAÇÕES SEGUNDO A UNDERSEA AND HYPERBARIC MEDICAL SOCIETY (USA) 1986 Indicações corretamente aceitas
Outras Ulceras vasculares periféricas: arterial; decúbito; venosa; neuropática; Gangrena; Doença de Burger; Flebite; Retinopatia diabética; Trombose da veia retiniana; Lepra lepromatosa; Enxaqueca; Pneumatose cistóide intestinal; Colite pseudomembranosa; Artrite reumatóide aguda; Crise de anemia falsiforme; Hematuria; Úlcera péptica; Infarto agudo do miocárdio; Pós-cardiotomia; Enterite e cistite por radiação; Micoses refratárias; Contusão medular: transsecção fisiológica; perda parcial motora ou sensorial; Síndrome orgânica cerebral: doença de pequenos vasos Acidente vascular encefálico; agudo; crônico; Coma vegetativo: lesão cerebral fechada; encefalopatia hipóxica; Esclerose múltipla: aguda; remitente; crônica progressiva; Síndromes de nervos cranianos: neuralgia do trigêmio; neurite ótica; desordens vestibulares; surdez súbita; síndromes do tronco cerebral; oclusão da artéria retiniana; Neuropatia periférica; Doença de Charcot, Maries Thooth; Mielite por radiação.
Ortopédicas Esmagamentos Edema de tecidos moles: traumáticos; celulite (infecção com flora mixta) Síndrome do compartimento Fasciíte necrotizante aguda; Mionecrose por clostrídeo; Osteomielite aguda e crônica; Enxertos ósseos.
INDICAÇÕES SEGUNDO O
MINISTÉRIO DA SAÚDE DA RÚSSIA A ampla utilização da OHB na Rússia deve-se ao seu desenvolvimento acentuado no campo da pesquisa, realizada no Departamento de Oxigenoterapia Hiperbárica do Instituto LENIN de Medicina. Após efetuarem a lista de indicações correntes, a mesma foi submetida a correções de 68 experts de diferentes centros na Rússia. DOENÇAS VASCULARES Obstrução arterial em membros, pré e pós-cirúrgico (embolismo, trauma, trombose) Arteriopatia obstrutiva de membros; Arteriosclerose; Embolia gasosa; Úlceras causadas por deficiência circulatória.
Strain cardíaco; Distúrbio do ritmo cardíaco; Insuficiências cardíacas por malformações, descompensação cardioesclerótica ou pós- cirúrgicas; Insuficiência cardiopulmonar
DOENÇAS PULMONARES Abcessos pulmonares, pré, per e pós-cirúrgicos. Doenças pulmonares crônicas não específicas com sinais de insuficiência cardiopulmonar.
DOENÇAS GASTROINTESTINAIS Úlceras gástricas e duodenais: oclusão intestinal; síndrome pós-hemorrágica
DOENÇAS HEPÁTICAS Hepatite viral aguda: com distúrbio encefálico (estágio I e II); sem distúrbios encefálicos porém de evolução rápida; Cirrose hepática
DOENÇAS OBSTÉTRICAS Abortos por isquemia placentária:
Complicações gravídicas de origem extragenital:
Estágios críticos pré ou pós-parto: coma por eclampsia
DOENÇAS NEONATAIS Asfixia durante o parto Distúrbios da circulação cerebral Hemólise neonatal Enterocolite úlcero-neurótica Fleimão
INFECÇÕES EM CIRURGIA GERAL Abcessos sépticos em incisões; Peritonite infecciosa por remoção cirúrgica de lesão inicial.
FERIMENTOS CUTÂNEOS Infecções por clostrídeos; Abcessos; Tratamento profilático após abertura de ferimentos infectados; ferimentos granulares; Ferimentos com queimaduras superficiais; pós-cirúrgico de ferimentos infectados; Mechanical jaundice; Insuficiência hepática pós-ressuscitação; hepatite tóxica (venenos hepatotrópicos)
DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Embolia gasosa cerebral; isquemia cerebral; traumatismo craniano; encefalopatia pós-hipóxica; botulismo; traumatismo medular espinhal cervical.
DOENÇAS OFTALMOLÓGICAS Isquemia retiniana aguda; distrofia retiniana; retinopatia diabética; neurite óptica por intoxicação por metanol.
DOENÇAS ENDÓCRINAS Arteriopatia diabética; úlceras e polineurites diabéticas; gota tóxica.
DOENÇAS FACIAIS E MAXILARES Paradontose; fleimão facial; osteomielite maxilar; gengivite necrótica e estomatite; actinomicose facial.
DOENÇAS ÓSSEAS Fraturas de membros com distúrbios circulatórios; Fraturas em arteriopatas ou diabéticos; Fraturas com dificuldade de consolidação; osteomielite;
INTOXICAÇÕES EXÓGENAS Intoxicação por monóxido de carbono; Intoxicação da hemoglobina; Intoxicação por cianeto; Intoxicação por cloretos; Intoxicação por inseticidas organofosforados (carbophosphorus).
O oxigênio Hiperbárico destrói as bactérias anaeróbicas, constituido um potente agente bactericida. O "Clostridium Welchii"é particularmente suscetível. A mionecrose, as graves celulites e estados toxêmicos responderam rapidamente a terapia. Na atualidade, a oxigenoterapia hiperbárica é o tratamento de escolha para ferimentos infectados por anaeróbicos (Boerema). Desde 1956, a eficácia deste tratamento na gangrena gasosa, usado em conjunto com procedimentos cirúrgicos e antibioticoterapia, tem sido demonstrada em muitos pacientes, tendo-se conseguido reduções acentuadas nos índices de mortalidade, aqui se destacando, principalmente, uma acentuada diminuição do número de amputações cirúrgicas. É importante alertar que tão logo se faça uma hipótese diagnóstica de infecção por anaeróbico, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para tratamento Hiperbárico (J.Bekerr - Amsterdã), antes que sobrevenham as seqüelas fatais, como Coagulação Intravascular Disseminada e Insuficiência Renal Aguda. A precocidade do diagnóstico e início do tratamento são vitais. No Brasil, (São Paulo), vários casos foram tratados com 100% de cura.
Medicina
Artigo de Tomaz Brito publicado no Jornal
de Medicina do CFM - maio/junho 2002 Construiu, então, um "vaso de pressão", ou seja, uma câmara metálica, a qual denominou de domicilium e onde passou a ministrar "banhos de ar comprimido", com pressões mais elevadas que a pressão atmosférica normal para doenças agudas e pressões menos elevadas para doenças crônicas. Assim, de forma empírica, foram lançadas as raízes da medicina hiperbárica e da oxigenoterapia hiperbárica. À descoberta e à identificação do oxigênio por Priestley, em 1775, seguiram-se, dentre outros, os trabalhos de Paul Bert, em 1878, E. W. Moir e J. Lorrain-Smith, em 1899, Osório de Almeida, em 1938, Churchill-Davidson, em 1954, e, especialmente, o trabalho clássico e revolucionário do cirurgião cardiovascular holandês Ite Boerema e sua equipe, em 1956. As pesquisas desses autores e suas publicações fundamentaram e desenvolveram a modalidade terapêutica. A Medicina Hiperbárica dedica-se ao tratamento de pessoas acometidas de doenças e lesões próprias do mergulho ou do trabalho em ambientes pressurizados, e ao estudo e prevenção desses agravos - donde pode ser considerada subespecialidade da Medicina do Trabalho. No entanto, nem todos os mergulhadores são profissionais e no Brasil, especialmente no estado do Rio de Janeiro, têm ocorrido muitos acidentes graves e até fatais com mergulhadores amadores, desportistas muitas vezes admitidos em setores de emergência de hospitais públicos sem que a equipe tenha informações mínimas de como conduzir o atendimento nos casos de doenças descompressivas (formação e expansão de bolhas de nitrogênio nos tecidos) ou de embolia traumática pelo ar (a mesma etiologia, porém localizada no cérebro). Raramente, alguém da equipe do Pronto-Socorro sabe quando, como e por que contatar um serviço de medicina hiperbárica, e o que fazer enquanto o socorro especializado não chega. As medidas iniciais devem ser a oxigenação a 100%, hidratação generosa com Ringer c/Lactato, sondagem vesical com controle da diurese, decúbito lateral esquerdo com proteção da cabeça e das vias aéreas e manutenção do paciente em decúbito neutro, ou seja, a cabeça e os pés no mesmo plano horizontal (8). Além disso, temos outro fato grave, mal analisado e potencialmente mais prejudicial às vítimas:o resgate aeromédico. É certo que nos casos de acidente de mergulho o transporte da vítima até uma câmara hiperbárica deve realizar-se no menor tempo possível. No entanto, quando o veículo utilizado for helicóptero ou avião o vôo deve ocorrer em altitude inferior a 300 metros, idealmente abaixo de 150 metros, uma vez que em altitudes superiores a estas a redução inevitável da pressão atmosférica e da pressão parcial do oxigênio são suficientemente expressivas para provocar hipóxia relativa e expansão de bolhas aéreas, agravando o quadro clínico. Dentre as alternativas terapêuticas no âmbito da medicina hiperbárica (MH), destacamos a oxigenoterapia hiperbárica (O2HB), uma forma de tratamento que consiste basicamente em submeter o paciente à ventilação, espontânea ou não, com oxigênio puro em ambiente estanque e pressurizado: uma câmara hiperbárica. Esse procedimento é chamado de sessão de câmara hiperbárica e está relacionado na TAB/AMB/1999 (LPM) sob o código principal 25.00.000-4, código de procedimento 25.11.000-4 e código de sessão 25.11.001-2. A sessão é realizada uma vez a cada 24 horas, por um período ininterrupto de 60, 90 ou 120 minutos, de acordo com os protocolos internacionais para doenças sob tratamento, condições clínicas do paciente e sua evolução. São poucas as situações em que estarão indicadas duas ou no máximo três sessões em um período de 24 horas, e ainda assim por poucos dias. A O2HB é indicada, como tratamento principal ou coadjuvante, em diversas doenças agudas ou crônicas, de natureza isquêmica, infecciosa, traumática ou inflamatória, geralmente graves e refratárias aos tratamentos convencionais e que, freqüentemente, implicam elevados custos e prognósticos reservados. As indicações cientificamente reconhecidas para a O2HB - constantes da resolução CFM no 1.457/95 - são: embolias aéreas e embolias traumáticas por ar; doenças descompressivas do mergulho ou do trabalho em ambientes pressurizados; -pneumoencéfalo; envenenamento ou intoxicação por gases ou fumaça; gangrena gasosa clostridiana: mionecrose fulminante; infecções necrotizantes como celulites, fasciites e miosites, especialmente quando afetam áreas nobres como pescoço, colo, abdome, genitália ou períneo (S. de Fournier) e no pé do diabético com mal perfurante plantar; úlceras crônicas em membros inferiores, por insuficiência vascular, arterial ou venosa, infectadas ou não; úlceras de compressão :escaras de decúbito; infecções ósseas refratárias como osteomielites, inclusive de esterno; osteorradionecroses e lesões de tecidos por radiação como radiodermites e retites ou cistites actínicas; queimaduras de segundo grau extensas ou em áreas nobres ou de terceiro grau, especialmente na fase aguda, sejam elas térmicas, químicas ou elétricas; isquemias traumáticas agudas com esmagamento, síndrome x compartimental ou amputação; preparo de regiões para enxertias ou na viabilização de enxertos; vasculites agudas de causa alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas como de aracnídeos, ofídios e insetos; anemias graves, provisoriamente, durante a impossibilidade de transfusão sangüínea; e processos inflamatórios crônicos como fístulas enterocutâneas da doença de Crohn, enterorragias por retocolites e colite pseudomembranosa. O que chama atenção nesta lista de entidades clínicas tão distintas entre si é o seu denominador comum: uma tríade formada por isquemia (ou hipóxia), edema e infecção. Outra informação fundamental: havendo indicação, quanto mais grave o estado do paciente, mais urgente e necessário faz-se o tratamento em câmara hiperbárica - isto se aplica especialmente aos pacientes comatosos, sépticos, dependentes de drogas vasoativas e aos queimados. É um grave erro esperar que o paciente melhore para encaminhá-lo à O2HB, pois é justamente o tratamento em câmara na fase aguda que pode determinar o prognóstico e encurtar a fase crítica. Ademais porque, idealmente, a O2HB não é uma abordagem terapêutica limitada aos pacientes ambulatoriais. Tudo depende da infra-estrutura material (bomba de infusão hiperbárica, ventilador hiperbárico, monitorização), do engajamento e da competência e experiência do serviço de medicina hiperbárica e de sua equipe. É muito importante ressaltar que não devem ser indicadas para tratamento em câmara hiperbárica pessoas acometidas de síndromes neurológicas ou suas seqüelas, devido à insuficiência de evidências científicas. Além disso, a divulgação sensacionalista e aética de tratamentos em câmara hiperbárica para "rejuvenescimento", "ressuscitação", combate a rugas e "celulites", "embranquecimento" da pele ou "recuperação" da energia configura não apenas propaganda enganosa mas também charlatanismo. Também não constitui oxigenoterapia hiperbárica a exposição, mesmo que pressurizada, de apenas membros ou segmentos do corpo a um ambiente rico em oxigênio - prática enganosa, que não apresenta nenhum efeito terapêutico. A O2HB implica em ventilação de oxigênio pressurizado, e não oxigênio tópico. Fundamentos para Essencialmente, duas leis físicas e alguns processos bioquímicos explicam o mecanismo de ação da O2HB e dos métodos utilizados em MH: *A lei de Henry - segundo a qual "a quantidade de um gás que se dissolve em um líquido (no caso, o oxigênio no plasma) é tanto maior quanto maior for a pressão exercida por este gás sobre esse líquido" - um exemplo prático e comum é o de uma bebida gaseificada, na qual o gás está dissolvido por efeito direto da pressão com que é injetado; *A lei de Boyle-Mariotti - segundo a qual "o espaço ocupado por um certo volume de gás será cada vez menor quanto maior for a pressão ambiente", ou seja, em um ambiente pressurizado o gás sofre contração, se expandindo se a pressão ambiente diminui.
Reverter a hipóxia aguda ou crônica e atingir níveis elevados de saturação de oxigênio resulta em uma série de efeitos potencializadores da opsonização e da fagocitose, da diferenciação celular e da produção de colágeno, promovendo neovascularização e acelerando a granulação, a reepitelização e, portanto, a cicatrização. O oxigênio hiperbárico atua também de forma sinérgica com os antibióticos, porque modifica o ambiente bioquímico, tornando-o desfavorável à proliferação bacteriana, limitando e interferindo na produção e atividade de suas toxinas, além de ser diretamente bactericida para os germes anaeróbios. Estas reações no organismo devem ser provocadas, estimuladas e
sustentadas, definindo e estabelecendo um platô do tipo estímulo-resposta. Por isso, uma
vez iniciado é injustificável a interrupção prolongada do tratamento em função de
feriados, por exemplo. Esta conduta revela baixo nível técnico, descompromisso para com
o paciente e seu médico - configurando má-prática no entendimento do autor. do consumo de antibióticos e conseqüentemente dos custos totais
do tratamento. Referências Bibliográficas: (1) Henshaw, In: (Simpson, A): Compressed Air as a Therapeutic
Agent in the Treatment of Consum-ptio, Asthma, Chronic Bronchitis and Other Diseases.
Sutherland and Knox, Edinburgh, 1857.
Links para Artigos Científicos HBO Improves Survival of Myocutaneous Flaps http://www.baromedical.com/newsletter/hboimproves.html HBO in Toxic Epidermal Necrolysis HBO Therapy For Brain Radiation Necrosis Hyperbaric Medicine Scientific Resources
and Textbooks Hyperbaric Oxygen in Wound Care Hyperbaric Pharmacology Update Hyperbaric Update Hyperoxia Enhanced Radiation Therapy:
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